OSCAR A. MOSCARIELLO-Embaixador da Argentina

embaixadorAS MULHERES E A DIPLOMACIA

Em pleno século XXI, não é admissível que o poder continue a funcionar como um clube reservado aos homens. O tema voltou a agitar os media aquando do Dia Internacional da Mulher, embora esta seja uma causa que deveria merecer a atenção e a energia da comunidade ininterruptamente.

“A necessária e imparável mudança passa, também,
pela diplomacia”

A verdade é que tem havido mais leis que progressos. Mesmo nas sociedades ditas desenvolvidas, a igualdade de género mantém-se uma miragem. Existem mais mulheres no mundo do que homens, há mais alunas que alunos nas universidades, mas nos Parlamentos, nos Conselhos de Ministros e nos Conselhos de Administração são, ontem como hoje, os senhores que imperam, em muitos casos esmagadoramente.
A necessária e imparável mudança passa, também, pela diplomacia. Neste campo, registei com enorme agrado o crescimento, ao longo dos três anos que levo em Lisboa, do número de Embaixadoras que formam parte do Corpo Diplomático acreditado em Portugal.
Na Argentina surgem, por estes dias, sinais positivos a este respeito. Outrora ocupadas, quase na totalidade, por homens, as vagas de acesso à carreira diplomática repartem-se hoje pelos dois géneros. Há poucos anos, houve até um concurso onde foram admitidas mais mulheres do que homens.

Se bem que minoritárias, as mulheres têm deixado a sua marca na diplomacia, em particular ao nível dos Direitos Humanos. Lembremo-nos, por exemplo, de Bodil Begrup, a Embaixadora dinamarquesa que esteve na base da criação, em 1946, da Comissão da Condição da Mulher das Nações Unidas; e da dominicana Minerva Bernardino, histórica dirigente do movimento feminista latinoamericano e um das quatro mulheres que firmaram a Carta das Nações Unidas.
Evoquemos, ainda, a activista indiana Hansa Mehta, responsável pela redacção da parte da Declaração Universal dos Direitos Humanos onde se lê que “todos os seres humanos nascem livres e iguais”, em vez de – como previa a ideia origienal – “todos os homens nascem livres e iguais”.
Citemos, por fim, o contributo da paquistanesa Begum Shaista Ikramullah com relação à defesa das mulheres no matrimónio e ainda a luta da bielorrusa Evdokia Uralova para incluir os territórios não autónomos debaixo da jurisdição dos direitos humanos.

“Cada uma destas extraordinárias muheres
merece ser recordada (…) pelo seu contributo
para a igualdade de género, (…)”

Cada uma destas extraordinárias mulheres merece ser recordada não só pelo seu inestimável contributo para a igualdade de género, mas também para vincar que o seu trabalho encontra-se incompleto. E que enquanto assim for, somos nós, como família, comunidade, como civilização, que estamos incompletos.

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