Fazer a India

Fazer a Índia

A maior democracia do mundo tem-se feito todos os dias. Além do esforço de mais de 1,2 mil milhões de habitantes, com um espírito empreendedor e de trabalho acima da média, para o desenvolvimento deste país tem contado, em grande escala, o investimento de empresários de todo o mundo, que têm feito da Índia um dos países com maiores taxas de crescimento ao ano. A Índia, esse país onde Vasco da Gama chegou há mais de 500 anos, está pronta a ser redescoberta através de investimentos em inúmeras áreas, tanto no setor público como no privado. O convite está feito: é o momento de fazer a Índia.

Foi em setembro de 2014 que se lançou o programa Make In India, uma iniciativa promovida pelo Primeiro Ministro Narendra Modi com o objetivo de transformar o país num centro global de design e produção, um polo produtivo ao nível da indústria, da construção, do turismo

e dos serviços. A iniciativa surgiu na sequência da crise económica que abalou as várias regiões do mundo, no início desta década. O mercado dos países em crescimento começou a dar sinais de estagnação no decorrer do ano de 2013, e a taxa de crescimento da Índia caiu para o nível mais baixo numa década. Vários economistas olharam com preocupação para o abrandamento indiano, chegando a levantar dúvidas quanto à capacidade de o país se reerguer. Por isso, era preciso dar, do ponto de vista governamental, uma nova injeção de vitalidade à promissora economia do segundo país mais populoso do mundo. Assim surgiu o programa que reconduziu a Índia ao seu caminho de crescimento. A iniciativa constituiu um forte apelo à ação dos cidadãos e dos empresários locais, mas também um apelo à participação de investidores em todo o mundo. A mensagem é clara: todos podem investir

na Índia, nos mais diversos setores e nos diferentes Estados do território. Uma vez que impõe respeito a dimensão do país, o seu número de habitantes e o número de unidades políticas que o compõem (29 estados, cada um deles com dezenas ou centenas de milhões de habitantes, por sua vez inseridos numa enorme teia de religiões e idiomas), o governo da Índia fez deste programa uma oportunidade para simplificar a legislação e tornar mais fácil o investimento estrangeiro, numa mentalidade apropriada ao século XXI e que assenta nos valores da inclusão e da abertura ao mundo. Foram construídas infraestruturas, constituiu-se um help desk disponível para esclarecer todas as dúvidas que os empresários e investidores possam ter e pôs-se a informação a circular em vários suportes, sendo a internet a força principal. As estruturas obsoletas do passado foram substituídas, facilitando a circulação do capital e de novas tecnologias e tornando mais rápida a inovação e a aprendizagem. Vários rankings disponibilizados pelo Banco Mundial dão conta da melhoria significativa do sistema indiano no que toca a investimentos: no que diz respeito à facilidade de se fazer negócios, a Índia tem subido posições ano após ano (escalou 32 entre 2015 e 2017); nas estatísticas que medem a facilidade em começar um negócio ou em montar uma empresa, o país subiu do 164º lugar (2015) para o 155º (2016); neste mesmo período de tempo, a Índia passou da 99ª posição para a 70ª na facilidade em obter eletricidade para montar um negócio; e, entre 189 países, a Índia é o 8º que mais protege os interesses dos investidores minoritários. Está provado, assim, que é cada vez mais fácil e célere abrir um negócio na Índia.

Os setores abertos ao investimento O esforço levado a cabo pelo governo indiano conduziu a excelentes resultados ao nível do investimento externo em setores fundamentais para o país, como a Defesa, a Saúde, os Seguros e o sistema ferroviário. Se antes estas mesmas áreas estavam vetadas à participação estrangeira, agora são os setores que lideram o investimento externo, servindo de bandeira a este programa de desenvolvimento. Praticamente todos os setores estão abertos ao investimento estrangeiro. Um investimento de quatro triliões de dólares é requerido apenas

nos 25 setores de topo: Automóvel, Componentes para automóveis, Aviação, Biotecnologia, Química, Construção, Maquinaria Elétrica, Sistemas Eletrónicos, Processamento de Comida, Tecnologias de Informação, Gestão de modelos de negócios, Couro, Media e Entretenimento, Exploração Mineira, Gás e Petróleo, Indústria Farmacêutica, Portos e construção naval, Energias Renováveis, Estradas, Exploração espacial, Têxteis, Energia Térmica e Turismo. São inúmeras as possibilidades que existem para investir na Índia, o que precisamente faz dela a economia mais aberta do mundo. Este é, também, o maior programa industrial alguma vez lançado, tal é a sua abrangência a nível de setores de investimento. O seu sucesso está assente numa rede muito bem desenvolvida de parcerias público-privadas, que representam esta junção de esforços entre o governo indiano e os empresários de todo o mundo.

Os corredores industriais Simultaneamente, cinco corredores industriais estão a ser desenvolvidos em algumas regiões do país, perto dos quais nascerão cidades industriais que estão a ser erguidas de raiz de modo a poderem receber todos os trabalhadores que virão a participar nestes projetos. O objetivo destes corredores é promover a industrialização das regiões e o planeamento urbano, numa lógica de desenvolvimento inclusivo que é, afinal, aquilo que caracteriza a Índia – uma grande e rica nação aberta ao mundo. Estes corredores ligam algumas das principais cidades do país, como Bombaim, Bangalore, Nova Deli ou Chennai, nas costas do Golfo de Bengala. A indústria é a atividade que se pretende desenvolver nestes espaços, pois o país pretende elevar, até 2025, o peso deste setor no PIB de 15% para 25%. Estes cinco corredores ligam o norte à zona centro do país, bem como aproximam as duas zonas litorais do território. Este gigante programa, tal como os outros que

o governo de Narendra Modi tem promovido, e que vão desde a vontade em expandir as novas tecnologias, em formar cidadãos e em melhores as condições de vida tanto nas cidades como no campo, mostra como existe uma enorme vontade na Índia de criar um ambiente mais amigável para o investimento e para o desenvolvimento. Tal como no passado, em que o Ocidente Cristão desejava chegar à Índia e comercializar com os povos da região, hoje o país volta a ser o centro da ambição económica e o polo onde se concentra o capital e o querer. Hoje, a credibilidade da Índia, da sua economia e das suas instituições está mais forte do que nunca. Reina o otimismo e a vontade de fazer mais e melhor, a pensar na vasta massa populacional que habita o território e a pensar também nas próximas gerações. A maior democracia do mundo parece caminhar a passos largos para se tornar a maior e mais poderosa economia do mundo.

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