Crónica do Embaixador da Polónia, Jacek Junosza Kisielewski – Łódź EXPO 2022. Uma nova oportunidade de ver a Polónia reinventar-se

A cidade polaca já tem evoluído várias vezes, de uma localidade agrícola, a um vibrante, multicultural centro industrial, à Detroit polaca, ao novo coração da inovação e uma das cidades mais hipster na Polónia. Uma cidade que nunca se rende e que luta pelo seu futuro, volta a erguer e torna-se o único candidato europeu à organização da exposição internacional EXPO 2022. A comunidade internacional reúne-se regularmente nas Exposições Mundiais que servem para uma compreensão de nações, culturas e tradições, de invenções modernas e aspirações dos visitantes e anfitriões das exposições. Este ano, o local da EXPO 2017 será Astana, capital do Cazaquistão.

Em 2020, vamos nos reunir em Dubai nos Emirados Árabes Unidos. O local da próxima EXPO 2022 vai ser escolhido, no final deste ano, pelo Bureau Internacional de Exposições. Łódź, a terceira maior cidade polaca, apresentou a sua candidatura para acolher a próxima EXPO. Os benefícios da organização de Exposições Mundiais são multíplices. Primeiro, as mesmas oferecem aos visitantes uma única oportunidade de vir a conhecer a cidade ou a região em que a exposição tem lugar. É um importante valor cognitivo num mundo globalizado. Por isso é tão importante escolher, nas edições seguintes, cidades e regiões distantes em termos geográficos e diferentes em termos culturais.

A combinação Astana – Dubai ilustra, no melhor modo, a relevância do critério da diversidade. Acrescentar a esta sequência Łódź – uma cidade localizada em mais um continente diferente, na parte centrooriental da Europa onde a Exposição Mundial ainda não tem sido organizada, parece um complemento consequente desta série. Por outro lado, a organização da EXPO é uma grande oportunidade para uma cidade – estimula o seu desenvolvimento e mobiliza toda a comunidade local. Parque das Nações em Lisboa, Isla Mágica em Sevilha ou Aquapolis em Oquinaua são bons exemplos da urbanização sensata e eficaz de infra-estruturas desenvolvidas no âmbito de Exposições Mundiais; a área ao redor do Atomium, em Laeken (Bruxelas) é um outro exemplo espetacular de adaptação das áreas pós-exposição.

A Polónia espera que a comunidade internacional vá lhe dar a oportuniade de continuar a ativar e a desenvolver a infra-estrutura da cidade de Łódź. Enquanto a Polónia situa-se no ponto de encontro da Europa Ocidental e da Europa Oriental, a cidade de Łódź está no coração da Polónia. É aqui que se cruzam as principais as auto-estradas e vias férreas; é mesmo por aqui que passa também a “nova Rota da Seda “ – via de transporte ferroviário de mercadorias entre a China e a Europa. O percurso de comboio de Łódź para Varsóvia demora pouco mais de uma hora, um pouco mais ainda para Cracóvia, Poznań e Gdańsk. A cidade é bem comunicada com o seu aeroporto internacional. Uma das circunstâncias favoráveis para a organização da Exposição Mundial é a tradição multicultural da cidade que recebe o evento. Na primeira metade do século XIX, a indústria têxtil em Łódź foi construída principalmente pelos alemães e judeus. No período das partições da Polónia (1795-1918) a cidade encontrou-se sob o con
trolo da Rússia czarista. Desde cem anos Łódź desenvolve-se novamente dentro da Polónia. Foi com esta cidade que foram relacionados Władysław Reymont (Nobel da Literatura de 1924) e virtuoso de piano Artur Rubinstein. É alí que funciona a famosa Escola de Cinema que deu à luz tais cineastas como Wajda, Kieślowski, Polański, Munk, Zanussi, Starski e Kutz. Espera-se que as próximas Exposições Mundiais contribuam, com novas ideias, para o desenvolvimento civilizacional do mundo. A proposta de Łódź é a revitalização da área
pós-industrial da cidade, como aconteceu no caso do sucesso da EXPO lisboeta em 1998. Por quase dois séculos a cidade foi um importante centro da indústria têxtil, mas depois de 1989 muitas fábricas entraram em colapso. Na Łódź pós-industrial o tecido urbano passou a degradar-se.

Para inverter esse processo, foi introduzido o programa de modernização “City: reinventado” que mantém os ativos históricos e o magnífico património cultural da cidade e que tem dado óptimos resultados. É com a revitalização inovadora e eficaz da cidade que nos queremos enaltecer ao mundo durante a EXPO 2022. Vale a pena mencionar ainda a questão das preparações logísticas de um empreendimento de grandes dimensões como este. Nos últimos anos, nos os polacos tivemos várias oportunidades para demonstrar que temos experiência na organização de grandes projetos de escala internacional. Provou-se um sucesso o Campeonato Europeu da UEFA EURO 2012 organizado em conjunto com a Ucrânia. No verão de 2016 recebemos, em Cracóvia, 2,5 milhões de jovens peregrinos que vieram à Polónia para participar na Jornada Mundial da Juventude, com a presença do Papa Francisco.

Ao longo de 2016, a cidade polaca de Wrocław foi a Capital Europeia da Cultura, reunindo mais de 2 milhões pessoas em vários eventos culturais. Agora dêmos uma oportunidade a Łódź. A experiência das Exposições Mundiais passadas demonstra a sua importância como um estímulo do desenvolvimento de cidades e regiões e da dinamização das comunidades locais. A concessão da organização da EXPO 2022 a Łódź seria o primeiro caso desse tipo nesta parte da Europa centro-oriental. Os hasbitantes de Łódź já prováram quão fortemente estão motivados para enriquecer o tecido da sua cidade, a proteger cuidadosamente o património cultural tão rico e diversificado. Dêmo-lhes uma oportunidade para impulsionar este processo. Quando chegar o momento da decisão não se esqueçam também da hospitalidade e benevolência polacas.

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